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os grandes esquecidos da luta contra a Aids
A proliferação do vírus causador da Aids (HIV) nas prisões é subestimada,
denunciaram em Toronto (Canadá) encarregados da luta contra esta doença, que
pediram uma reação das autoridades públicas do mundo inteiro. "Depois de mais de
20 anos de pandemia, a resposta nas prisões ainda está pendente", denunciou o
pesquisador zambiano Alick Nyirenda, durante a 16ª Conferência Internacional
sobre Aids, que se celebra nesta cidade canadense. As prisões se tornaram
verdadeiras "incubadoras" do HIV e da Aids, devido a relações sexuais sem
proteção, a tatuagens feitas em condições de higiene duvidosas e ao consumo de
drogas injetáveis com seringas usadas, acrescentou. A superpopulação carcerária,
a sobrecarga que compromete o atendimento médico e o tabu da homossexualidade em
alguns países favoreceram a propagação do vírus em centros de reclusão. Annie De
Groot, especialista em doenças infecciosas em prisões da universidade americana
Brown, disse que a situação dos prisioneiros é muito poucas vezes mencionada nos
fóruns sobre Aids, apesar de merecerem os mesmos tratamentos que os outros
doentes. O diretor da Fundação Irlandesa para as Reformas Penais, Rick Ones,
considerou por sua vez que a prevenção da Aids nas prisões deveria ser
considerada um direito humano. Os Estados têm a obrigação de proteger a saúde
das populações carcerárias, disse. Nos países onde o homossexualismo é
considerado crime, os debates sobre as relações sexuais protegidas são difíceis,
lamentou Nyirenda. "É preciso lidar com estas questões difíceis", acrescentou.
Nas prisões canadenses há 1.729 casos de Aids conhecidos, segundo um estudo de
fevereiro de 2006, mas presume-se que o número seja muito menor, pois muitos
presos temem informar sua condição de soropositivos, explicou Connor McCollum,
da Rede de Ação de Apoio a Presos com HIV/Aids. O Canadá fornece preservativos e
lubrificantes para sua população carcerária desde 1992, mas em um ambiente de
violência em que a Aids ainda é considerada uma doença de homossexuais, muitos
presos evitam pedir ajuda para não serem apontados como gays. A Ucrânia se
tornou o epicentro da epidemia de Aids na Europa, devido especialmente ao
consumo de drogas com seringas infectadas. Um estudo apresentado na conferência
de Toronto encontrou taxas de Aids de 16% a 91,5% em sete prisões ucranianas.
Segundo o Programa das Nações Unidas contra o HIV/Aids (OnuAids), calcula-se em
600.000 o número de usuários de drogas injetáveis na ex-República Soviética, a
maioria jovens. O primeiro programa de distribuição de seringas descartáveis foi
implementado na Suíça em 1992. Atualmente, 50 programas deste tipo funcionam em
oito países. Nestes não foram registrados novos casos de HIV e se constatou uma
redução nas overdoses de heroína. No entanto, Morag McDonald, editora do jornal
International Prisoner Health, lamentou a falta de iniciativas. "Falta vontade
política para implementar programas de distribuição de seringas gratuitas e
oferecer serviços sanitários", garantiu.