13 julho, 2006

Cosméticos


O glamour do exótico – A demanda aquecida instiga a indústria a se renovar constantemente. Por isso, há alguns anos, as fábricas adotaram como palavra de ordem a promoção de lançamentos. Tanto que, segundo estimativa de Nunes, no mínimo de 20% a 30% do faturamento anual das empresas advém de novos desenvolvimentos. “A cada mês, é preciso lançar um produto”, constata Nunes. Essa característica impacta de forma positiva a atuação das companhias, pois passaram a requerer bases flexíveis e ativos dos mais variados.

A indústria brasileira nem precisa ir longe para se abastecer de novidades. A riqueza e a diversidade do ecossistema brasileiro impressionam. O Brasil possui 70% do total das espécies presentes em florestas tropicais no globo terrestre. Mas não bastaria esse cenário se não existisse uma crescente demanda por ingredientes de origem vegetal. “A biodiversidade brasileira é tema prioritário na cosmetologia mundial, pois hoje óleos e extratos vegetais são o que movimentam o mercado”, explica Nunes.

Grande parte das indústrias, hoje, atua com produtos formulados com extratos vegetais. Fundada em 1956, a Beraca Ingredients possui a divisão Amazônica Beraca-Brasmazon, que produz a linha Rain Forest Specialties, composta por óleos e manteigas da biodiversidade brasileira, além de outros ingredientes considerados naturais. Ao que tudo indica, os negócios vão bem. A empresa prevê investimentos de mais de US$ 10 milhões até 2008. A multinacional inglesa Croda também investe em novidades. Responsável pela criação no Brasil da divisão Crodamazon, o grupo se propõe a estudar, pesquisar, desenvolver e aproveitar produtos e subprodutos derivados de plantas. A idéia é se basear em uma política permanente de preservação de recursos naturais e de promoção do desenvolvimento sócio-econômico das regiões envolvidas.

Não é de hoje que o País está no centro das atenções do mercado mundial de cosméticos. A mudança está na postura do setor. Segundo a Abihpec, mostra-se mais rigoroso e atuante o controle dos órgãos ambientais e das entidades certificadoras, a exemplo do The Forest Stewardship Council (FSC), representado no Brasil pelo Imaflora, e organizações não-governamentais, como Amigos da Terra (Friends of the Earth), ISA (Instituto Sócio Ambiental) e Greenpeace, entre outras. O objetivo é evitar o extrativismo predatório. “Temos um grande diferencial em nossas mãos que precisa ser usado com responsabilidade”, aponta o gerente de marketing da Croda do Brasil, Sérgio Gonçalves, referindo-se à Região Amazônica. Para Basilio, nota-se que a indústria brasileira está cada vez mais presente na elaboração dos processos regulatórios internacionais de utilização de ativos naturais. “Queremos ser atores desse espetáculo”, afirma.

Exportações - Para o gerente de produto e desenvolvimento de mercado industrial da Corn Products, Reynaldo Barros, as empresas estrangeiras, sobretudo as da Europa, Estados Unidos e Japão, têm forte interesse por matérias-primas amazônicas, a ponto das vendas desses produtos engordarem os negócios internacionais do País. Mas não foi só isso. No ano passado, a desvalorização do dólar em relação ao real movimentou a balança comercial brasileira. As exportações do setor de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria somaram, em 2005, US$ 407.668, as importações totalizaram US$ 211,3 milhões. Em 2001, os índices eram outros. As vendas ao exterior registraram US$ 191.510 e a compra de importados, US$ 199.533, segundo a Abihpec. No entanto, o atual aumento das exportações, de acordo com Gonçalves, poderá ser prejudicado a médio prazo. “A valorização do real estimula as importações e não o inverso”, ressalta.

Questões políticas e econômicas à parte, ações isoladas têm dado resultado. Em março deste ano, a Apex-Brasil promoveu a Rodada de Negócios Brasil-Colômbia. O encontro rendeu ao mercado brasileiro cerca de US$ 11,785 milhões, o triplo do valor previsto pela Abihpec. O evento foi realizado com a proposta de intensificar os negócios entre os dois países. Durante três dias, um andar inteiro da Câmara de Comércio de Bogotá funcionou como showroom dos produtos nacionais. A escolha da Colômbia não foi à toa. No ano passado, as exportações do setor cosmético para este país somaram US$ 14 milhões, equivalente ao crescimento de 39% em relação ao ano anterior.

Inovações - Tendência anunciada há algum tempo, a substituição do uso de matéria-prima derivada de animais por vegetais fortaleceu desenvolvimentos alternativos, como a biotecnologia. Para Barros, a utilização de enzimas, co-enzimas e ingredientes naturais estabilizados, ou com desempenho melhorado por processos biotecnológicos, deverão ser, ainda mais, um fator de diferenciação para o ramo cosmético. “Essa é uma tendência que terá seu pleno desenvolvimento durante os próximos três anos”, anuncia.

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