11 abril, 2006

Cientistas usam nanopartículas contra células cancerígenas

Cientistas usam nanopartículas contra células cancerígenas
Estudo usa nanopartículas para matar células do câncer
As doses de compostos que matam as células cancerosas podem ser administradas de forma mais eficaz em partículas de bilionésimos de metro e que não atingem as células saudáveis, segundo publicou hoje a revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".
"A administração controlada de nanopartículas terapêuticas em uma célula, tecido ou formações específicas de doença representa uma tecnologia poderosa", afirmaram os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e do Hospital Brigham e de Mulheres em Boston.

A equipe liderada por Omid Farokhzad, professor em Brigham e na Escola de Medicina de Harvard, usou o câncer de próstata como modelo para as experiências, que começaram com o cultivo de células no laboratório e depois em ratos com tumores de próstata humana.

As nanopartículas têm tamanho medido em nanômetros - um milionésimo de milímetro do metro -, e ajudam a evitar alguns dos efeitos colaterais observados em outros tratamentos.

Os pesquisadores explicaram, por exemplo, que um dos tratamentos que se tornou mais comum para o câncer de próstata em pacientes com riscos baixo e intermediário é a braquiterapia guiada por ultra-som.

A braquiterapia é uma forma de tratamento com radiação ionizante (radioterapia), na qual o material radioativo (radioisótopos) é colocado dentro ou perto de um tumor.

"O uso da braquiterapia aumentou 4% entre 1993 e 1995, e 22% entre 1999 e 2001", disseram.

"Apesar da rápida adoção desta forma terapêutica, ainda há complicações como disfunção erétil, retenção urinária e lesões graves dos intestinos causadas pela radiação".

Segundo os cientistas, "a braquiterapia pode falhar na erradicação do câncer de próstata localizado, o que acaba freqüentemente em reincidência", acrescentou a publicação em artigo.

Os pesquisadores de Massachusetts formaram nanopartículas esponjosas, que recebeu o composto docetaxel.

As partículas são planejadas para se dissolverem nos fluidos internos da célula, liberando o composto contra o câncer rapidamente ou mais devagar, de acordo com o caso.

Para garantir que as nanopartículas farão efeito apenas quando forem para as células com câncer, as partículas estão marcadas do lado de fora com aptâmeros - moléculas de "pontaria" -, que são fragmentos simples da cadeia do DNA.

Com as nanopartículas, disse Farokhzad, os tumores nos ratos diminuíram consideravelmente, e todos os roedores sobreviveram ao estudo. Todos os animais de controle, que não receberam tratamento, morreram.

"Apenas uma injeção de nossas nanopartículas erradicou completamente os tumores em cinco dos sete animais tratados, e os animais restantes também tiveram redução substancial dos tumores", acrescentou.

Os pesquisadores advertiram que, mesmo com a conclusão de que todos os elementos deste sistema de tratamento não causam prejuízos à saúde, ele ainda precisa ser testado em humanos.

EFE
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