
Sondas podem ter destruído sinais de vida em Marte
VITOR MORENO
colaboração para a Folha Online
Exatamente um ano depois do pouso da sonda Phoenix em Marte, pesquisadores dizem que máquinas que desembarcaram no planeta vermelho procurando sinais de vida podem, na verdade, ter destruído evidências de que havia compostos orgânicos no planeta --considerados essenciais para a existência de vida. Um artigo publicado na revista NewScientist afirma que a forma como a busca estava sendo feita pode ter "tostado" evidências de que havia seres vivos no planeta.
No ano passado, a Phoenix encontrou um composto químico chamado perclorato em solo marciano. A substância é inofensiva quando está em temperatura baixa, mas quando aquecida libera muito oxigênio, o que tende a queimar materiais combustíveis. A sonda também permitiu a descoberta de água no planeta.
Segundo o artigo, tanto a Phoenix quanto a Viking, que pousou em Marte em 1976, procuravam moléculas orgânicas aquecendo amostras de solo em altas temperaturas para evaporá-las e analisá-las sob a forma de gás.
Uma equipe da Nasa, a agência espacial americana, tentou reproduzir na Terra o aquecimento de compostos orgânicos junto com o perclorato. O resultado é que os compostos entraram em combustão e não sobrou nenhum traço orgânico.
O estudo foi apresentado na 40ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária, em março, nos Estados Unidos.

Solo de Marte é similar ao deserto no Chile, diz Nasa
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Atualizado às 19h10
da Folha Online
Cientistas da missão da Phoenix afirmaram, nesta terça-feira (5), que o solo próximo de onde a sonda pousou, no Pólo Norte de Marte, é similar ao encontrado no deserto do Atacama, no Chile. Segundo eles, a descoberta de perclorato no planeta não diminui as chances de se encontrar vida no local.
A substância é utilizada no combustível de foguetes e pode ser tóxica e prejudicial à saúde. Também pode ser encontrada no deserto do Atacama, onde micróbios conseguem viver. Segundo os cientistas, a presença do perclorato não é boa nem ruim para as perspectivas de encontrar vida em Marte.
A Nasa também pediu paciência até que mais estudos sejam feitos sobre o assunto. Segundo a Nasa, é preciso realizar novas análises para confirmar que a substância encontrada é mesmo perclorato.
A agência diz que precisa fazer mais estudos para descartar que a substância tenha sido levada a Marte pela Phoenix e está revendo os procedimentos ocorridos antes do lançamento da sonda, para verificar isso.
"Isso tem de ser verificado dentro do instrumento [Tega, sigla em inglês para Analisador de Gás Térmico e Expandido],", afirmou Peter Smith, chefe de pesquisa da missão. De acordo com ele, mesmo que a substância seja confirmada, "isso não impede a vida em Marte. Na verdade, é uma fonte de energia em potencial".
"Eu peço que a imprensa seja paciente conosco", disse o cientista. "Deixe a equipe de ciência fazer o trabalho no ritmo adequado".
Na segunda-feira (6), a Folha Online adiantou que técnicos da missão descobriram água em estado líquido no planeta. Na semana passada o trabalho da sonda, que explora o solo de Marte desde 25 de maio, já havia confirmado a existência de gelo no local. A descoberta de água líquida, no entanto, pode levar a uma revolução nas pesquisas sobre a possibilidade de vida no planeta vizinho.
Nenhum estudo foi publicado ainda sobre a descoberta, mas o líder de um dos grupos no comando da pesquisa da Phoenix afirmou por telefone à Folha Online que o assunto será divulgado em relatório dentro de alguns dias.
Aparentemente, os técnicos ficaram atordoados com a existência de perclorato em Marte. Mas eles afirmam que na Terra algumas plantas também vivem em um solo relativamente rico na substância. "Como o perclorato afeta a hipótese de Marte ser habitável é uma pergunta complexa para a qual não temos reposta", afirma Smith.
"Isso realmente não limita nossa pesquisa para a 'habitabilidade' nesse solo de gelo e se nós formos sortudos o suficiente para ver alguns indícios orgânicos, não ficaríamos surpresos", diz o cientista.