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"OS DISCOS VOADORES EXISTEM ?"

Eu não sei ! Ainda não vi nenhum...
E será que é isso o que importa?
Essas teorias de que nós estávamos falando se referem a microestruturas, sugerem hipóteses para o surgimento da vida... Daí a considerarmos a existência de vida inteligente, e ainda por cima capaz de criar naves equipadas para viajar milhares de anos-luz para chegar até nós, vai uma grande distância.
Não que isso não seja possível, e que os milhares de contatos de primeiro, segundo, terceiro e quarto graus não tenham sido vivências fascinantes. Mas o fato é que esse tem sido um terreno fértil para as especulações de má fé, que se aproveitam da polêmica para promover a confusão, aumentando a incerteza daqueles que, como qualquer um de nós, gostaria de responder a uma elementar e magnífica pergunta: estamos sós ?
A ficção usou e abusou da imagem desde o início da Guerra Fria, criando paralelos entre o alienígena destruidor e dominador com a invasão de ideologias indesejáveis ao mundo ocidental, até a mistificação de monstros do inconsciente. Essa etapa felizmente parece ter sido superada. SPIELBERG deu a todos um ET que revive flores e controla a gravidade, ao menos no caso das bicicletas. Pelo menos ele não é um daqueles marcianos verdinhos que invadiam cidades, ou um dos monstros venusianos que raptavam donzelas.
MARTE pareceu por muito tempo o candidato mais provável a abrigar vida no sistema solar. E o curioso é que tudo começou com um erro de tradução.
O astrônomo que observou pela primeira vez as rugosidades de Marte era um italiano, que as definiu como "canale" em italiano. Na tradução as rugas se transformaram em canais, e aí a imaginação voou.
Já apareceram marcianos construindo aquedutos e reservatórios para um sistema de irrigação planetário. É verdade que Marte possui calotas polares, só que com gelo de CO² e uma pequena parte de gelo de água. As diferenças de temperatura em Marte são bem altas e esse gelo praticamente não se liquefaz, passando diretamente para o estado gasoso. Portanto, não há o que "correr" por esses supostos canais.
Essa celeuma toda em torno dos canais e da água em Marte ocorre porque a água, ou algum solvente de outra espécie, é considerada condição necessária para a vida, segundo ainda os nossos padrões.
Várias sondas fotografaram Marte e não encontraram sinais de vida. As VIKING 1 e 2 pousaram no planeta em 1976 e os testes não identificaram formas vivas nem na atmosfera, nem em amostras do solo. Mas as pesquisas continuam porque, entre outras coisas, Marte faz parte de uma região do sistema solar conhecida como ECOSFERA ou zona biotermal, onde as temperaturas e a distância do Sol podem ser consideradas apropriadas para o desenvolvimento da vida.
Essa região compreende as órbitas de MARTE, a Terra, é claro, e a órbita de VÊNUS.
Temos aqui um outro alvo constante da ficção.
VÊNUS, além de ter dimensões próximas às da Terra, tem uma atmosfera que resulta azul nas fotos de sondas e telescópios. Mas é exatamente aí que reside um dos fatores que dificultam a presença de vida por lá.
A atmosfera de Vênus é muito mais densa do que a nossa, e constituída basicamente de CO². Ela permite a passagem das radiações infravermelhas, mas reflete o calor emitido do planeta. Isso eleva a temperatura na superfície a mais de 400 graus. Assim não há vida "que agüente". Várias sondas já passaram por VÊNUS e pousaram no planeta, e não mandaram nenhum registro de vida que suportasse esse calor todo.
Daria pra pensar também na dificuldade dos animais venusianos para respirar o chamado gás carbônico de sua atmosfera. Mas isso não seria impedimento para alguns organismos que até dispensam a atmosfera para viver.
MERCÚRIO já tem uma atmosfera muito tênue, que praticamente não filtra as radiações do Sol que em muitos casos são nocivas à vida. Além do mais, ele está muito próximo da nossa fonte de energia e sua temperatura atinge níveis insuportáveis para a vida como nós podemos investigar.
Pensar na vida em planetas gasosos como JÚPITER, SATURNO e NETUNO já fica bastante complicado. Tanto pela ausência de uma superfície definida, como pela instabilidade de suas condições internas. Além do mais, eles estão muito longe do Sol, convivendo com temperaturas muito abaixo dos padrões para a vida.
Há ainda algumas hipóteses para a presença de alguma forma de vida em TITAN, satélite de SATURNO, o único do sistema solar que tem atmosfera. Mas, as condições de temperatura por lá não são nada propícias.
PLUTÃO é praticamente um satélite... Definitivamente, os candidatos para abrigar vida no sistema solar são os planetas da ecosfera. E nos outros sistemas planetários ?
As dúvidas são muitas, a começar pelo fato de que somente agora começamos a detectar de maneira precária a presença de planetas gravitando em torno de outras estrelas. É que os planetas são muito pequenos em relação às estrelas. Por exemplo, se JÚPITER - o maior planeta do nosso sistema - estivesse girando em torno de ALFA DO CENTAURO, que é o agrupamento estelar mais próximo de nós, ele seria praticamente invisível mesmo para os mais potentes telescópios.
Por enquanto, as suposições ficam ainda por conta da matemática.
São cerca de 100 bilhões de estrelas só na nossa galáxia. Dez por cento delas são parecidas com o Sol, o que resulta na estimativa de 10 bilhões de sistemas planetários. Se um em dez possuir planetas com suportes de vida razoáveis, assumindo que a vida neles possa persistir por milhões de anos, como é o caso da vida na Terra, teremos milhões de planetas com vida na nossa galáxia nesse momento. Mesmo com perspectivas pessimistas, somos obrigados a acreditar que a vida é um fenômeno comum na galáxia, e possivelmente no universo.
Essas estimativas matemáticas estão se referindo a qualquer tipo de organismos vivos, desde microorganismos até a vida inteligente. Para avaliar as hipóteses de vida inteligente os critérios são ainda mais subjetivos, até porque há muitas incertezas sobre o processo de estabelecimento da vida inteligente aqui na Terra.
A busca por vida inteligente envolve todas essas questões anteriores e mais a possibilidade do desenvolvimento de um sistema de comunicação que, no mínimo, tenha alcançado o mesmo grau que o nosso. Isso estimando que o caminho tecnológico escolhido por outras formas de vida inteligente tenha sido parecido com o nosso.
Voltando às estatísticas, os cálculos mais otimistas chegam a um valor aproximado de 125 000 civilizações em condições de comunicabilidade na nossa galáxia. O número parece animador, mas há críticos veementes de ambos os lados. Não há outra saída se não investigar, e as distâncias interestelares são imensas. Os projetos nessa área buscaram a maneira mais rápida de transmitir informações que nós conhecemos, as ondas de rádio.
Mesmo assim, há de ter bastante paciência. Imaginando ainda um possível planeta em torno de ALFA DO CENTAURO, uma onda de rádio emitida a partir da Terra, à velocidade da luz, levaria quatro anos e pouco pra chegar até lá. Ao receber a mensagem emitida e compreender o seu significado, uma suposta civilização poderia enviar uma resposta. Digamos que não fossem "burocráticos" e entendessem a emergência da busca por vida no universo. De qualquer modo a resposta demoraria outros tantos quatro anos e pouco para chegar até nós. Ou seja, os projetos de comunicação extraterrena exigem muita dedicação e infra-estrutura.
O pior é que há previsões pessimistas que falam de civilizações em estágio de comunicabilidade num raio de 1000 anos-luz. Como as viagens espaciais a distâncias dessa ordem ainda permanecem no terreno dos planos, o jeito é tentar as ondas de rádio.
É o que se tem feito desde os fins da década de 50 com vários projetos, entre os quais talvez o mais completo seja o META, iniciado em 1985 e que conta com a colaboração da NASA e de outras instituições de pesquisa, inclusive com um radiotelescópio de 30m instalado em LA PLATA, ARGENTINA, para cobrir o céu do hemisfério sul.
E como não se pode perder oportunidades, as sondas espaciais que abandonam o sistema solar levam consigo imagens e sons da Terra, com indicações da origem e dos criadores dessas máquinas.
Muitos temem a possibilidade real de comunicação entre nós e outras civilizações inteligentes. É realmente difícil avaliar o que poderia acontecer, e a ficção é que está mais à vontade para desenvolver o tema.
As conseqüências são imprevisíveis, e o fantasma da invasão continua rondando a paranóia dos que ampliam seus limites invadindo territórios.
Particularmente o assunto me deixa com vontade de pagar pra ver.
Virá um "ditador sideral" para esmigalhar nossa cultura? Seremos como índios do "velho" novo mundo, subjugados pelos seres de tecnologia superior ? Ou seremos dignamente tratados... Como não tratamos nossas culturas menos tecnológicas?
Para passarmos a ser tratados como membros da galáxia, precisamos respeitar todas essas culturas. E, na procura dos que estão pelo espaço, talvez nos encontremos. A resposta está em ver, escutar o espaço e sobretudo a nós mesmos.

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