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Tecnologia - Lítio - Poder imunoestimulante

Estacionar é preciso
Dispositivo que faz baliza automaticamente poderá facilitar a vida dos motoristas desajeitados


Nem todos têm habilidade para estacionar em vagas com espaço reduzido e, por isso, uma das manobras mais temidas pelos motoristas é a baliza. Seria muito mais fácil se existisse um carro capaz de estacionar sozinho. É isso que alguns pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) conseguiram construir: um automóvel popular que pode fazer baliza automaticamente, sob o comando de um botão.

“Nossa intenção era fazer algo barato, simples e que pudesse ser integrado a um carro popular movido a gasolina. A ativação da baliza automática é feita de forma semelhante ao comando das travas elétricas das portas”, diz o engenheiro mecânico Sadek Alfaro, um dos responsáveis pelo projeto. “O sistema pode ser instalado num veículo comum a um custo de R$ 2,5 mil. A BMW já produz carros com esse recurso, mas eles custam US$ 28 mil, porque funcionam com sensores a laser e câmeras de alta definição.”

O veículo que o grupo da UnB criou funciona com base em sensores ultra-sônicos, que mapeiam o ambiente ao redor do carro e detectam os obstáculos existentes em todas as direções. Os dados coletados pelos sensores são enviados para um microcontrolador – uma espécie de computador com velocidade de processamento menor. Esse dispositivo analisa os dados, calcula a distância dos obstáculos e determina os movimentos que o carro terá que fazer para entrar na vaga.

O microcontrolador está ligado à parte eletrônica do veículo para transmitir as ordens aos seus subsistemas – freio, acelerador, direção, marcha, câmbio e embreagem. A partir daí, tudo é feito automaticamente e o veículo se encarrega de estacionar na vaga. Por enquanto a baliza automática só funciona em ruas sem inclinação, mas existe um projeto para adaptá-la a planos inclinados. “A dificuldade da inclinação é que há uma considerável força gravitacional atuando no carro”, explica Alfaro. “Isso torna o processo mais complicado porque teremos que acionar mais subsistemas ao mesmo tempo.”

O sistema foi testado apenas em laboratório, mas com carros de tamanho real. Os testes no trânsito devem começar a partir do ano que vem. “Já entramos com o pedido de patente e o produto final provavelmente ficará pronto em 2008. Há algumas montadoras interessadas em adicionar o recurso em seus veículos, mas ainda estamos em fase de negociação”, informa Alfaro. Embora a baliza automática ainda não seja capaz de estacionar em planos inclinados, o engenheiro garante que quando for para o mercado o produto estará completo. “Estamos trabalhando para que o sistema torne o carro apto a estacionar qualquer lugar.”

Franciane Lovati
Ciência Hoje On-line
07/08/2006


Poder imunoestimulante
Substância extraída da quebra-pedra aumenta número de células de defesa do organismo
Além de ser eficiente para inibir cálculos renais e combater a hepatite B, a quebra-pedra (Phyllanthus niruri) possui também ação imunoestimulante

Um composto extraído da planta Phyllanthus niruri, popularmente conhecida como quebra-pedra, é capaz de estimular o sistema imunológico, conforme mostrou um estudo feito na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Outras pesquisas já haviam comprovado a eficácia da quebra-pedra na inibição de cálculos renais e no combate à hepatite B, entre outros males. Mas esta é a primeira vez que se tem notícia da ação imunoestimulante de algum componente da erva, largamente consumida por meio de chás.

O trabalho que levou à descoberta da substância – o carboidrato arabinogalactana – foi realizado pela farmacêutica Caroline Mellinger durante a elaboração de sua tese de doutoramento, defendida no Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFPR, sob orientação do bioquímico Marcello Iacomini, com a colaboração da bioquímica Guilhermina Noleto.

Os experimentos tiveram início com a extração e a purificação da molécula de arabinogalactana, a partir da infusão de folhas de quebra-pedra, visando identificar a estrutura do carboidrato. O composto, vale lembrar, não é exclusivo do gênero Phyllanthus. “A molécula está presente em muitos vegetais superiores, mas em cada planta ela assume características estruturais próprias”, explica Mellinger. Após a caracterização formal da substância, os pesquisadores avaliaram, em células de camundongos, seu efeito sobre o sistema imunológico e constataram um aumento significativo na produção de macrófagos (células de defesa do organismo).

Os resultados da primeira etapa da pesquisa foram publicados no Journal of Natural Products, da Sociedade Norte-americana de Química. A etapa posterior dos estudos da arabinogalactana de Phyllanthus niruri simulou a ação do sistema digestivo sobre esse carboidrato e avaliou o nível da atividade imunoestimulatória do composto parcialmente digerido. “Muitas vezes se relatam ‘milagres’ a respeito de determinadas plantas, mas não se avalia o efeito das moléculas após sua passagem pelo estômago”, afirma Iacomini. Segundo o bioquímico, a ação do suco gástrico pode reduzir ou mesmo anular possíveis efeitos fitoterápicos de algumas plantas.

Estudos da equipe da UFPR mostraram que a molécula de arabinogalactana, em contato com o suco gástrico, sofre alterações e se fragmenta, sem, no entanto, perder sua capacidade de ação sobre as células do sistema imunológico. “Embora sofra uma degradação parcial no estômago, a molécula permanece ativa”, garante Mellinger. Segundo Iacomini, os resultados alcançados a partir da realização desses estudos são bastante promissores e ampliam ainda mais o já conhecido poder fitoterápico da popular quebra-pedra.

Dâmaris Thomazini
Especial para a CH On-line / PR
10/08/2006


À procura do lítio perdido
Desfeita controvérsia em relação à abundância desse elemento químico no universo

Um artigo da Nature desta semana pode trazer uma solução para a ‘crise do lítio’ – enigma que há anos intriga os cientistas. A quantidade de lítio medida em estrelas mais velhas era de duas a três vezes menor do que a abundância desse elemento químico no universo prevista por modelos teóricos derivados do Big Bang. A discrepância pode ser atribuída a processos estelares ainda pouco conhecidos, que não haviam sido considerados nos cálculos anteriores, segundo a equipe do astrônomo Andreas Korn, da Universidade de Uppsala, na Suécia.


A 'crise do lítio' foi solucionada a partir de observações do aglomerado globular NGC 6397, feitas através do Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul (ESO), no deserto do Atacama (Chile). Situado na constelação de Ara, o NGC 6397 reúne as estrelas mais velhas da Via Láctea – são cerca de 400 mil. Um aglomerado globular é um conjunto de estrelas dispostas de forma esférica que orbita uma galáxia como se fosse um satélite .

A quantidade de elementos químicos sintetizados nos minutos após o Big Bang pode ser inferida a partir da teoria da nucleossíntese primordial – processo de formação de hidrogênio, hélio e lítio a partir da combinação de prótons, elétrons e nêutrons livres (os demais elementos se formaram posteriormente, em outros processos). Esse modelo é sustentado principalmente por observações da radiação cósmica de fundo, único vestígio dos primeiros anos do universo. As previsões feitas a partir dele são compatíveis com a quantidade de hidrogênio presente no universo, mas indicavam que grande parte do lítio primordial havia misteriosamente desaparecido.

Para solucionar o enigma, os pesquisadores observaram dezoito estrelas de diferentes tipos e em distintos estágios de evolução do aglomerado globular NGC 6397, situado a 7.200 anos-luz da Terra. “Não é possível utilizar qualquer estrela para comparar a quantidade de lítio prevista pela teoria com a observação”, explica o astrofísico Walter Maciel, da Universidade de São Paulo (USP). "É preciso analisar as mais velhas em que, em princípio, deveria haver uma quantidade de lítio mais próxima do valor primordial.” Isso acontece porque essas estrelas se formaram durante um período mais próximo ao Big Bang que as estrelas mais jovens.

Difusão e mistura turbulenta
Os cientistas constataram que as estrelas mais velhas observadas já não têm mais boa parte do lítio primordial que deveriam ter. Segundo eles, a principal causa desse desaparecimento seria um processo que ocorre no interior da estrela conhecido como difusão. Ele é caracterizado pelo ‘afundamento’ rumo ao interior da estrela dos elementos químicos mais pesados que o hidrogênio, devido à força da gravidade. Como o lítio é sete vezes mais pesado que o hidrogênio, acabou armazenado nas regiões mais internas do corpo celeste, onde é impossível visualizá-lo. A difusão ocorre ao longo da evolução das estrelas, por isso seus efeitos são mais visíveis nas mais velhas.

Segundo os autores, um outro processo que não era considerado nas medições anteriores também pode estar por trás da 'crise do lítio' – a chamada mistura turbulenta. Esse fenômeno consiste na formação de zonas de convecção ligadas ao movimento de rotação da estrela. Uma zona de convecção é o movimento em que os elementos mais pesados afundam e os mais leves emergem e vice-versa, formando um fluxo contínuo. A partir de um determinado estágio de evolução estelar, o segundo processo começa a reduzir os efeitos do primeiro, ou seja, uma quantidade menor de elementos mais pesados irá para as camadas mais profundas das estrelas.

“A convecção pode trazer os elementos mais pesados para a superfície”, explica Andreas Korn, em entrevista à CH On-line. “Mas o núcleo do lítio é muito frágil, e não sobrevive ao trajeto através da estrela: ele se quebra quando as temperaturas excedem dois milhões de graus kelvin.” Por isso, o lítio não é restaurado na superfície, ao contrário de outros elementos mais pesados como o ferro e o cálcio, numa quantidade condizente com a prevista na teoria da difusão. “Podemos inferir, a partir disso, que deveria haver cerca de duas vezes mais lítio nas estrelas do que o observado atualmente”, prossegue Korn. “E esta abundância está bem próxima do que previmos que havia sido produzido no Big Bang”.

Apesar da grande diminuição do erro, permanece uma margem de erro de 20% entre as previsões teóricas e as observações empíricas. “Podemos ter certeza de que os processos estelares têm um papel importante na observação da quantidade de lítio, mas deve haver outros fatores além deles”, afirma Korn. “É preciso considerar outros processos ainda pouco conhecidos da hidrodinâmica estelar para se chegar a resultados mais exatos”.




Franciane Lovati
Ciência Hoje On-line
09/08/2006

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