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Calculos Renais

Cientistas analisam estrutura das pedras nos rins para desenvolver novas formas de tratamento

Luis Gallego Martinez, do Ipen, estuda a maneira como os átomos estão arranjados nos cálculos através do aparelho de difração de raios X (Foto: Marcelo Vitoino).
Conhecer a estrutura cristalina de um tipo de sal que provoca cálculos renais pode ser a chave para o tratamento ou prevenção desse mal que acomete entre 3% e 4% da população brasileira. Descobrir como os átomos que os constituem estão arranjados pode ajudar a determinar a melhor forma para dissolvê-los. Por isso, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) estão estudando a estrutura cristalina desses sais.
Os cálculos renais – ou pedra nos rins, como são chamados – surgem principalmente quando o indivíduo bebe pouco líquido, mas também pode aparecer por causa de infecções ou herança genética. Além disso, estão associados ao consumo abundante de alimentos que contêm sal, proteínas e hidratos. Entre os sintomas estão dor aguda, freqüente necessidade de urinar e presença de sangue na urina. Não existe um tratamento preventivo efetivo para os cálculos renais: os médicos apenas sugerem que os pacientes mudem seus hábitos alimentares ou bebam mais água. Nos casos mais graves, o problema é tratado com uma cirurgia para a retirada das pedras ou com uma dissolução dos cristais através de ondas sonoras (litrotpsia extra-corpórea).

“Nossa pesquisa foi motivada pela ausência de estudos profundos sobre a estrutura dos cristais dos cálculos renais”, diz o físico Marcos D’Azeredo, chefe do laboratório da Ufes no qual o projeto está sendo desenvolvido. “Só conseguiremos dissolvê-los se entendermos a mecânica de sua formação.”

A pesquisa começou em 2000 e se concentra no estudo dos cálculos formados por oxalato de cálcio mono e dihidratado – sais ligados a uma ou duas moléculas de água. Outros tipos de sais também podem provocar a formação de pedras nos rins, mas o oxalato monohidratado representa a causa de 70% dos casos no estado do Espírito Santo e, por isso, está sendo estudado minuciosamente.

“Nosso maior problema é saber como as moléculas de água estão arranjadas no cristal para calcular a mínima energia necessária para dissolvê-lo”, explicou D’Azeredo. “Os oxalatos monohidratados, por possuírem apenas uma molécula de água, são mais difíceis de dissolver. É preciso elevar a temperatura a 500ºC para desestabilizar o cristal.”

Para definir a estrutura das pedras, os cientistas estão utilizando técnicas como a espectroscopia de infravermelho, na Ufes, e difratometria de raios X, no Ipen. “Essas técnicas permitem observar a estrutura cristalina dos sais”, diz Luis Gallego Martinez, pesquisador do Ipen envolvido no projeto. “Sabemos que eles são formados basicamente de oxigênio, hidrogênio, fósforo e cálcio, mas a técnica de difração fornece a informação de como esses átomos estão arranjados geometricamente”, completa.

Uma pesquisa feita na Espanha descobriu que os mesmos cristais de oxalato podem crescer de quatro formas diferentes e gerar doenças distintas, o que sugere que cada tipo de problema poderia ter um tratamento diferenciado. “Os cristais variam de acordo com padrões relacionados a hábitos alimentares, região e gênero”, complementa Marcos D’Azeredo.

Quebra-pedra
Há ainda uma linha da pesquisa voltada para o estudo da Phyllantus niruri – ou quebra-pedra, como é conhecida a planta que serve de base para o chá receitado popularmente para combater os cálculos renais. Em experimentos, essa espécie se mostrou eficaz na dissolução de cálculos formados por oxalato de cálcio. A estrutura da folha dessa planta também está sendo estudada pela pesquisadora do Ipen Ivone Mulako Sato, por meio da técnica de fluorescência de raios X, que fornece a composição química da planta. O objetivo dessa análise é identificar e isolar o princípio ativo das folhas.

Nas duas frentes de pesquisa, os resultados obtidos são bastante preliminares e ainda não apontam um caminho para um tratamento efetivo contra a pedra nos rins. “Gostaríamos de desenvolver uma forma de prevenir e dissolver as pedras. Seria ideal podermos criar um fármaco ou uma forma para tratamento de cálculos causados por oxalato, mas isso ainda não é uma garantia”, pondera Martinez.


Franciane Lovati
Ciência Hoje On-line
12/06/2006

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