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Biodisel

Tangará da Serra investe em experiência para produção de Biodiesel

Thiago Santos / Redação ds



Em janeiro passado, os EUA, anunciaram um programa de pesquisa para o desenvolvimento de tecnologias que ofereçam uma alternativa ao petróleo. Hoje, a procura de fontes mais baratas e limpas de geração de energia é uma das grandes preocupações em todos os países, inclusive no Brasil. Em 30 de outubro de 2002 foi lançado o Programa Brasileiro de Biodiesel.
Desde então diversas pesquisas vêm sendo desenvolvidas no setor e as primeiras usinas de produção de biodiesel, uma alternativa ao diesel derivado de petróleo, já estão em funcionamento. Após três anos de pesquisa, a Universidade de Brasília (UnB), criou recentemente a sua primeira mini-usina, com capacidade de produção de 250 L de óleo por dia.
A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) também coordena projetos de pesquisa com biocombustíveis. O campus de Barra dos Bugres desenvolve trabalhos de aperfeiçoamento de motores que utilizem a fonte alternativa de energia. Já o campus de Tangará da Serra coordena pesquisas no setor agrícola voltado à produção de biocombustível, sob a tutela do professor Astor Nied.
O biocombustível tem origem em óleos de origem vegetal ou animal. Após um processo de catalisação e balanceamento químico chamado transesterificação, se obtém 90% de biodiesel e 10% de glicerina. “Obter-se o biodiesel a partir do óleo vegetal é recomendável, pois o volume de produção é maior – uma semente de girassol pode chegar até 50% do seu peso em óleo – e o balanceamento químico é mais fácil. Com a gordura animal, grande parte do sebo pode vir a se tornar sabão, caso haja algum erro”, explica o agrônomo Luis Beló.
Além da transesterificação, um outro processo pode ser utilizado para obtenção do biodiesel: o craqueamento. Este é o método utilizado pela mini-usina da UnB, que, segundo seus pesquisadores, resulta em um produto mais parecido com o diesel de petróleo.
Beló defende a criação de pequenas usinas por produtores rurais. “A produção em pequena escala é economicamente viável. Hoje cerca de 7,5% dos custos de uma plantação são provenientes do diesel utilizado no maquinário”.
O agrônomo exemplifica seu ponto de vista. “Imaginemos um produtor de soja. Após a colheita, na safrinha, ele mantém uma produção de 1,2 mil Kg/ha de semente de girassol. Uma usina lhe forneceria cerca de 430 L/ha de biodiesel. Com um consumo do maquinário em torno de 45 L/ha, cada ha de sua produção de girassol, poderia lhe garantir quase 10 ha sem custos de combustível em sua próxima plantação de soja”.
Se considerarmos o preço de R$ 2 por L de diesel, cada ha da safrinha deste produtor lhe garantiria uma economia de R$ 900 na plantação de soja. Ou seja, 5 ha de girassol lhe dariam uma economia de R$ 4,5 mil em combustível, em uma plantação de soja com 50 ha.
O biodiesel apresenta algumas desvantagens em relação ao diesel comum. Ele é 10% menos calórico que o derivado de petróleo, e a presença de potássio o torna mais corrosivo para metais. No entanto Beló afirma que as suas vantagens superam estes problemas. “Pela lubrificidade e pouca variabilidade térmica, o biodiesel acaba se tornando 10% mais eficiente. E um óleo filtrado de forma apropriada não será prejudicial ao motor”.
Os custos para a construção de uma usina de biodiesel com capacidade de produção de 1 mil L ao dia pode chegar a R$ 300 mil. “Porém é um investimento de retorno rápido”, afirma Beló. A Barralcool, de Barra dos Bugres, já possui a sua própria usina de biodiesel, em convênio com outras empresas, a Ecomat, localizada em Cuiabá. Já estão nos planos da empresa a contrução de uma segunda usina até o meio do ano.
POTENCIAL PARA A PRODUÇÃO - Uma das culturas apropriadas para a produção de biodiesel é a soja. Tangará da Serra apresenta uma grande extensão de plantações de soja em seu território. Uma tentativa de implantação da cultura de girassol foi feita pela Unemat no assentamento Antonio Conselheiro, porém sem sucesso.
“Por uma série de problemas não conseguimos bons resultados naquela ocasião. Porém estamos aguardando a resposta da Prefeitura quanto a um convênio com a Universidade. Com a assinatura desse convênio poderíamos apresentar a cultura do girassol para os assentados, além de desenvlover pesquisas quanto às melhores espécies para a produção de biodiesel”, explica o professor Astor.
Segundo o Secretário de Agricultura, Paulo Parente, a inclusão de culturas voltadas ao biodiesel está sendo estudada em Tangará da Serra. O secretário espera novidades ainda para esse ano. “Estamos, inclusive, tentando obter sementes para o viveiro municipal” esclarece.

Informações adicionais:

Data da notícia: 17/2/2006

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