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EMBALAGEM

Seminário mostra tendências
de embalagem de alimentos

O Seminário Internacional de Embalagem, dia 25 de maio, no Palácio de Convenções de Anhembi, em São Paulo, organizado pelo Centro de Tecnologia de Alimentos (Cetea) e a Associação Internacional dos Institutos de Pesquisa em Embalagem (Iapri), foi uma ótima oportunidade para técnicos se atualizarem com tendências internacionais da área, como alimentos funcionais, embalagens bioativas e inteligentes e biopolímeros.
Coube ao pesquisador do Instituto Agroquímico e de Tecnologia de Alimentos (Iata) da Espanha, Jose Maria Lagaron, a exposição da primeira palestra, dedicada às embalagens bioativas e à produção de alimentos funcionais. Esses produtos gozam de boa percepção pelos consumidores, pois oferecem outros benefícios além de seu valor nutricional incorporado em determinados componentes. Os produtos com aditivos bioativos são principalmente bebidas e laticínios (em menor escala) e seu consumo cresce muito mais rápido do que o de outros produtos convencionais.
Os componentes de alimentos funcionais podem ser probióticos (bactérias vivas que promovem um impacto positivo no sistema gastrointestinal do consumidor), prebióticos (produtos contendo fibras dietéticas ou outros alimentos que atravessam intactos o estômago e são processados no intestino), fitoquímicos, antioxidantes e vitaminas. Os probióticos mais comuns são os lactobacilos, mas essas bactérias não são muito resistentes e tendem a ser instáveis e fáceis de oxidar nas condições do estômago. Os prebióticos englobam a inulina, frutooligossacarídeos e fibras dietéticas.
Segundo o pesquisador do Iata, há problemas com a tecnologia atual para a produção desses alimentos, pois não se pode garantir que os microorganismos chegam vivos ao intestino ou em número suficiente para produzir algum impacto na saúde. Além disso, durante o armazenamento eles são expostos a mudanças de temperatura e as bactérias podem morrer. Isso acarreta uma quantidade superdimensionada de bactérias, pois 90% delas morre ao passar pelo estômago, onde o pH é muito baixo.
Uma alternativa proposta pelo pesquisador são tecnologias de encapsulamento combinadas a embalagens bioativas e biodegradáveis em que os componentes seriam liberados idealmente no momento do consumo. “A indústria se interessa por esse tipo de tecnologia porque em muitos produtos funcionais há perda das propriedades durante o processamento, armazenamento e comercialização”, afirmou Lagaron. Além disso, alguns componentes funcionais não são compatíveis com a matriz alimentar, o que torna razoável incorporá-los à embalagem e liberá-los no momento do consumo, em vez de incorporá-los no alimento. Os componentes funcionais também podem produzir sabores indesejados, odores desagradáveis e modificar a textura do alimento.
As tecnologias de encapsulamento e fixação demandam biopolímeros, não porque sejam biodegradáveis, mas por possuírem propriedades adequadas para a aplicação. Há pesquisas com biopolímeros produzidos por organismos geneticamente modificados, nanocompósitos e nanofibras naturais. As estratégias para o desenvolvimento dessas embalagens incluem fixar os componentes bioativos em uma matriz biodegradável que libera os componentes pela influência da umidade do alimento quando a embalagem é aberta ou ainda encapsular os componentes para atravessarem intactos o estômago e serem liberados adequadamente no intestino. Um exemplo é a tecnologia em desenvolvimento pelo Iata para pessoas intolerantes à lactose, em que pacotes enzimáticos integrados à camada plástica em contato com o alimento degradam o açúcar indesejado.

Inteligentes – O inglês Greg Wood, engenheiro de embalagens da empresa de consultoria Pira International, se dedicou em suas palestra às tecnologias emergentes no segmento de embalagens ativas e inteligentes. Embalagens ativas desempenham alguma função após o ponto em que o conteúdo foi embalado, interagindo com ele para melhorar sua qualidade, tempo de prateleira, segurança e utilização.
Já as inteligentes monitoram, indicam ou testam informação dos produtos ou as condições do ambiente que afetam a qualidade do produto, tempo de prateleira ou qualidade. As embalagens ativas podem ser absorvedoras ou emissoras, permeáveis a gases e responderem à temperatura, além de oferecerem propriedades antimicrobiais. As inteligentes estão mais ligadas ao diagnóstico (com a presença de indicadores) e à comunicação (com sistemas de etiquetas).
“Há grande quantidade de tecnologias novas que permeiam pelas duas áreas, como embalagens ativas combinadas a diagnóstico”, disse Wood. O interesse por esse segmento vem da conveniência demandada pelo consumidor em razão de vários fatores (adoção de estilos de vida mais saudáveis, sede por informação, preocupações com o meio ambiente e tempo livre reduzido).
No caso das embalagens com absorvedores de oxigênio, Wood destacou a tendência de integração do mecanismo de absorção à estrutura da embalagem, pois isso elimina as impressões negativas que absorvedores em sachês podem causar aos consumidores. Esse tipo de embalagem permite maior vida de prateleira, favorece a cadeia logística, reduz as reclamações por deterioração, e atende a demanda do consumidor por alimentos naturais, com menos conservantes, açúcares e sais. Mas, mais importante, permite a redução da necessidade por níveis extremamente baixos de oxigênio em embalagens de atmosferas modificadas. “Essa etapa da produção tende a ser o gargalo e é possível aumentar sua velocidade, possibilitando até redução de custos globais de produção”, ressaltou o consultor inglês.
Também são comuns os absorvedores de etileno, baseados primariamente em permanganato de potássio, um material tóxico. Há outros, mas todos possuem um nível desvantajoso de toxidez e potencial de migrar, e por isso não têm potencial para a integração direta a filmes para embalagens. Segundo Wood, há discussões se estes produtos realmente absorvem o etileno ou se apenas provêem uma rota mais eficiente para sua liberação para a atmosfera. Os benefícios da tecnologia incluem redução de perdas por apodrecimento, possibilidade de manter mercados de produtos fora de estação e redução de custos de transporte.
Nas tecnologias de diagnóstico, o exemplo típico são as embalagens com modificações de cor conforme o tempo de embalagem e a temperatura. A grande vantagem decorre da possibilidade de informar o estado real do alimento, em vez de basear o julgamento nas estimativas de validade para consumo, acarretando enorme redução do desperdício de alimentos em países desenvolvidos. No segmento promissor das técnicas conjugadas, Wood citou a combinação de indicadores de tempo e temperatura (TTI) e RFID. Juntas, as tecnologias permitem a checagem, na loja, de quão fresco os produtos estão, usando para isso apenas um escaneador manual.
O maior exemplo de sucesso dessas embalagens são os absorvedores de oxigênio no mercado de carnes premium, os mercados de garrafas PET (absorvedores de oxigênio) e de produtos frescos (indicadores de temperatura e tempo).

Interpack – A pesquisadora do Cetea Claire Sarantópoulos ainda teve fôlego para mostrar algumas das inovações vistas na última feira alemã Interpack (Düsseldorf, 21 a 24 de abril de 2005). Dentre as novidades, ela apresentou diversos exemplos de embalagens com válvulas, algumas presentes em embalagens de café para alívio da pressão interna. O sistema preserva o aroma e previne a oxidação do café e possui filtro para utilização com café torrado e moído. Também foram vistas válvulas para alívio de pressão de vapor, utilizadas em embalagens para cozimento a vapor, e válvulas para a retirada de umidade, adequadas ao uso de aprelhos de microondas.
Nas embalagens com barreira, um dos destaques foi a tecnologia de revestimento interno por plasma em garrafas PET, e já se vislumbra a aplicação em PP e PEAD. No segmento de novos materiais, foram lançados filmes esticáveis auto-adesivos para uso em alimentos, sem plastificantes e com peso 30% que os filmes convencionais. Como combinação da inovação nos filmes e nas máquinas, foram apresentadas embalagens encolhíveis termoformadas, que permitem melhor conformação ao produto, minimização de contaminação pela selagem das bordas e automatização do processo.
Um dos conceitos inovadores apresentados foi a embalagem de aço laminado com PET em ambas as faces. Esse tipo de tecnologia permite resistência à pressão interna de até 36 bar, o dobro da convencional.
Outro foco de lançamentos foram os biopolímeros. Claire apresentou poliactídeos à base de amido de milho que se decompõem em dióxido de carbono, água e material orgânico nas condições de compostagem, e polímeros biodegradáveis à base de amido de batata. A novidade mais revolucionária foram bandejas de polímero biodegradável totalmente solúveis em água, utilizada com alimentos secos, blisters e componentes eletrônicos.

Márcio Azevedo

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